{"id":18,"date":"2022-01-08T00:12:49","date_gmt":"2022-01-08T00:12:49","guid":{"rendered":"https:\/\/creat-ed.i2ads.up.pt\/?page_id=18"},"modified":"2022-01-27T16:12:11","modified_gmt":"2022-01-27T16:12:11","slug":"about","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/creat-ed.i2ads.up.pt\/pt\/about\/","title":{"rendered":"Sobre o Projeto"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-columns alignwide is-style-default is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-group alignwide\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns alignwide are-vertically-aligned-top is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-top is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-large-font-size wp-block-paragraph\" style=\"line-height:1.6\">Uma das palavras-chave das chamadas &#8220;soft skills&#8221; a serem treinadas pelas crian\u00e7as do s\u00e9culo 21 \u00e9 a criatividade (Martins, 2020b). A criatividade \u00e9 vista como parte da natureza da crian\u00e7a, tornando-se uma quest\u00e3o de potencial a ser atualizado, ou n\u00e3o, pela educa\u00e7\u00e3o. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">CREAT_ED<\/span><\/strong> busca compreender historicamente como a ideia da crian\u00e7a como sujeito criativo se tornou um ponto quase inquestion\u00e1vel na educa\u00e7\u00e3o. Para se tornar uma meta educacional, a criatividade teve que emergir como um problema e ansiedade na educa\u00e7\u00e3o (Martins, 2020a). A fabrica\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a criativa vem acompanhada da esperan\u00e7a de um futuro melhor, mas tamb\u00e9m do medo do cidad\u00e3o que n\u00e3o se enquadra nessa categoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-large-font-size wp-block-paragraph\" style=\"line-height:1.6\"><strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">CREAT_ED<\/span><\/strong> parte do trabalho que temos vindo a desenvolver como cr\u00edtica \u00e0 instrumentaliza\u00e7\u00e3o da criatividade no campo educativo portugu\u00eas, espelhando directivas internacionais. Este trabalho (Assis 2017, 2019; Martins 2014, 2020a, 2020b) permite-nos perceber que existem algumas linhas complexas que tornam este &#8220;presente&#8221; poss\u00edvel e que precisam de ser historicizadas (Popkewitz 2013) do final do s\u00e9culo 18 at\u00e9 ao P\u00f3s-Segunda Guerra, desde um momento em que a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade ocupavam um lugar amb\u00edguo nos discursos educacionais, at\u00e9 \u00e0 sua mercantiliza\u00e7\u00e3o e homogeneiza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-large-font-size wp-block-paragraph\" style=\"line-height:1.6\">A historiciza\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a criativa como um &#8220;acontecimento&#8221; \u00e9 necess\u00e1ria para n\u00e3o tomar como garantida a criatividade como um conceito essencialista. Seguindo uma perspectiva foucaultiana (Foucault 1972, 1980), a quest\u00e3o poderia ser: Como \u00e9 poss\u00edvel pensar a crian\u00e7a como pessoa criativa e quais os efeitos produzidos na fabrica\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a criativa? Historicamente, a ideia de desenvolver a criatividade da crian\u00e7a nem sempre foi entendida como um objetivo educacional e, quando se transformou em problema educacional, a criatividade variou em termos de prop\u00f3sitos, pr\u00e1ticas e significados a ela associados. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-large-font-size wp-block-paragraph\" style=\"line-height:1.6\">No entanto, mesmo que diferentes no\u00e7\u00f5es de quem era a crian\u00e7a, quem a crian\u00e7a deveria se tornar e como a crian\u00e7a aprendia mudaram ao longo da hist\u00f3ria, o contexto necess\u00e1rio para desencadear a natureza criativa da crian\u00e7a, ou para governar esse potencial, foi concebido como o campo da educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">CREAT_ED<\/span><\/strong> examinar\u00e1 o fluxo de ideias e pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que circularam entre os discursos e textos cient\u00edficos de educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica americana e europeia, sobre o desenvolvimento da natureza criativa da crian\u00e7a como objeto de estudo, interven\u00e7\u00e3o e desenvolvimento e como rupturas e continuidades foram potencializadas em diferentes tempos e espa\u00e7os. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-large-font-size wp-block-paragraph\" style=\"line-height:1.6\">Partimos de uma abordagem estrat\u00e9gica &#8220;presentista&#8221; que, de acordo com Fendler (2008), permite um envolvimento cr\u00edtico com o presente. A criatividade n\u00e3o \u00e9 apenas um nome. \u00c9 um actor n\/do mundo (Hacking 2006). Essa inven\u00e7\u00e3o possibilitou o movimento ocidental de educa\u00e7\u00e3o pela arte e a constru\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica do campo a n\u00edvel internacional. Ao mesmo tempo, tornou poss\u00edvel um certo tipo de sujeito humano, que \u00e9 a crian\u00e7a criativa. Na forma\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a criativa, v\u00e1rias pr\u00e1ticas violentas e excludentes estiveram em jogo e ainda est\u00e3o. A ret\u00f3rica da criatividade na educa\u00e7\u00e3o considera a criatividade como uma &#8220;ess\u00eancia&#8221; sem hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-large-font-size wp-block-paragraph\" style=\"line-height:1.6\">A nossa abordagem ao presente, no entanto, considera a criatividade como um evento hist\u00f3rico que precisa ser desmontado em suas diferentes complexidades. <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">CREAT_ED<\/span><\/strong> est\u00e1 relacionado com a ideia de mudan\u00e7a, n\u00e3o em termos de fornecer solu\u00e7\u00f5es, receitas ou uma boa vis\u00e3o da criatividade na educa\u00e7\u00e3o, mas com a possibilidade de compreender os nossos limites em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 criatividade. Quatro linhas ser\u00e3o exploradas ao longo do arco temporal situado entre o final do s\u00e9culo 18 e o p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial: <\/p>\n\n\n\n<ol class=\"has-black-color has-text-color has-large-font-size wp-block-list\"><li>As esperan\u00e7as e medos da criatividade na educa\u00e7\u00e3o;<\/li><li>A crian\u00e7a como um ser criativo dentro do movimento art\u00edstico infantil e a fabrica\u00e7\u00e3o do &#8220;Outro&#8221;;<\/li><li>Os espa\u00e7os e materialidades no fazer da crian\u00e7a criativa;<\/li><li>A conceitua\u00e7\u00e3o da mente como programada e criativa, desde o essencialismo do c\u00e1lculo ao discurso cibern\u00e9tico na programa\u00e7\u00e3o da criatividade na educa\u00e7\u00e3o.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-large-font-size wp-block-paragraph\" style=\"line-height:1.6\">O que vamos disponibilizar \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica sobre a inven\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a criativa de 1762 a 1973, por meio de uma cronologia online, que conter\u00e1 materiais (textos e imagens representativas dessa constru\u00e7\u00e3o). Esta hist\u00f3ria come\u00e7a em Genebra, com a publica\u00e7\u00e3o do <em>Em\u00edlio<\/em> de Rousseau, e chega a Portugal com um semin\u00e1rio da OCDE, ainda durante o regime da ditadura, sobre criatividade nas escolas. Ela viajar\u00e1 pela Europa e pelos Estados Unidos ao longo desse per\u00edodo de tempo. Como hist\u00f3ria do presente, essa historiciza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 neutra. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-large-font-size wp-block-paragraph\" style=\"line-height:1.6\">O nosso grande desafio em <strong><span class=\"has-inline-color has-black-color\">CREAT_ED<\/span><\/strong> \u00e9 articular este &#8220;arquivo&#8221; com base nas 4 linhas de for\u00e7a que apresentamos e assim come\u00e7ar a contribuir para um projeto futuro, de maior abrang\u00eancia, que possa, a partir da ousadia agora explorada, come\u00e7ar a construir hist\u00f3rias desta crian\u00e7a, com mais especificidades locais. Por enquanto, concentramos-nos na ideia de como se tornou razo\u00e1vel pensar na crian\u00e7a como criativa em ambientes educacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size wp-block-paragraph\" style=\"line-height:1.6\"><strong>CREAT_ED<\/strong> \u00e9 financiado pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e a Tecnologia (FCT).<br>Refer\u00eancia do projeto: EXPL\/CED-EDG\/0824\/2021<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><br>\u00b7 Assis, T. (2017). Doc\u00eancia e investiga\u00e7\u00e3o em Arte \u2013 biopol\u00edtica e a opera\u00e7\u00e3o da criatividade art\u00edstica e tecnol\u00f3gica na educa\u00e7\u00e3o: o caso do perfil dos alunos \u00e0 sa\u00edda da escolaridade obrigat\u00f3ria. In L. G. Correia, R. Le\u00e3o, &amp; S. Po\u00e7as (Eds.), O Tempo dos Professores (pp. 787\u2013793). Porto: CIIE.<br>\u00b7 Assis, T. (2019). Programming Creativity: Technology and Global Politics in the National Curriculum. In L. G. Chova, A. L. Mart\u00ednez, &amp; I. C. Torres (Eds.), INTED19 Proceedings: 13th annual International Technology, Education and Development Conference (pp. 5542\u20135551). Valencia: IATED Academy.<br>\u00b7 Fendler, Lynn (2008). The Upside of Presentism, Paedagogica Historica 44, no. 6, pp. 677\u201378.<br>\u00b7 Foucault, M. (1972). The Archaeology of Knowledge &amp; The Discourse on Language. New York: Pantheon Books.<br>\u00b7 Foucault, M. (1980). Nietzsche, Genealogy, History. In D. F. Bouchard (Ed.), Language, Counter-Memory, Practice. Selected Essays and Interviews by Michel Foucault (pp. 139\u2013164). New York: Cornell University Press.<br>\u00b7 Hacking, I. (2006). Kinds of People: Moving Targets. The Tenth British Academy Lecture. British Academy.<br>\u00b7 Martins, C. S. (2014). Disrupting the consensus: creativity in European educational discourses as a technology of government. Knowledge Cultures, 2(3), 118\u2013135.<br>\u00b7 Martins, C. S. (2020a). Post-World War Two Psychology, Education and the Creative Child: Fabricating Differences. In T. S. Popkewitz, D. Pettersson, &amp; K.-J. Hsiao (Eds.), The International Emergence of Educational Sciences in the Post-World War Two Years Quantification, Visualization, and Making Kinds of People (pp. 91\u2013108). New York: Routledge.<br>\u00b7 Martins, C. S. (2020b). The Fabrication of the Chameleonic Citizen of the future through the Rhetoric of Creativity: Governmentality, Competition and Human Capital. In C.-P. Buschk\u00fchle, D. Atkinson, &amp; R. Vella (Eds.), Art-Ethics-Education (pp. 26\u201343). Leiden and Boston: Brill Sense.<br>\u00b7 Popkewitz, T. S. (2013). Styles of Reason: Historicism, Historicizing, and the History of Education. In Rethinking The History Of Education. Transnational Perspectives on Its Questions, Methods, and Knowledge (pp. 1\u201326). New York: Palgrave Macmillan.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das palavras-chave das chamadas &#8220;soft skills&#8221; a serem treinadas pelas crian\u00e7as do s\u00e9culo 21 \u00e9 a criatividade (Martins, 2020b). A criatividade \u00e9 vista como parte da natureza da crian\u00e7a, tornando-se uma quest\u00e3o de potencial a ser atualizado, ou n\u00e3o, pela educa\u00e7\u00e3o. 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